Negociação com Fenaban continuará na terça-feira 21

A Fenaban não trouxe para a mesa de negociação desta sexta-feira 17 uma proposta global para a pauta de reivindicações da categoria, que já está com a federação dos bancos desde o dia 13 de junho. A negociação continuará na terça-feira 21. Os bancos se comprometeram a mandar a proposta redigida na segunda-feira 20, para que os representantes dos trabalhadores tenham tempo de avaliar e trazer contrapropostas para a mesa de terça.

Faça a sua sindicalização e fortaleça a luta em defesa dos direitos dos bancários

“Infelizmente, uma nova frustração para os sindicalistas e para a categoria, mas as negociações seguem na próxima semana, no dia 21 ou será greve novamente”, destaca o presidente do Sindicato dos Bancários de Joinville, Valdemar Luz.

Na última rodada, ocorrida no dia 7, a Fenaban apresentou proposta insuficiente, apenas de reposição da inflação, e incompleta, porque não trouxe garantias contra as novas formas de contratação previstas na reforma trabalhista, como a terceirização e o trabalho autônomo. E essa proposta, sem aumento real, foi amplamente rejeitada pela categoria, em assembleias lotadas em todo o país.

“Queremos aumento real, queremos a manutenção de nossa CCT! Queremos garantias contra a terceirização e queremos valorização”, assevera Valdemar.

Setor mais lucrativo pode oferecer proposta decente

Os representantes dos trabalhadores mais uma vez reforçaram que os bancos podem atender as reivindicações da categoria.

Em 2017, os cinco maiores bancos que atuam no país (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa), que empregam em torno de 90% da categoria, lucraram juntos R$ 77,4 bilhões, aumento de 33,5% em relação a 2016. Só no primeiro trimestre deste ano, eles já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que no mesmo período de 2017.

E os balanços do semestre já divulgados pelo Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa apontam que o ritmo de crescimento se manterá. De janeiro a junho, a soma dos lucros dos quatro já alcançou R$ 35,2 bilhões, um crescimento de 12% em relação ao primeiro semestre de 2017.

Levantamento feito pela consultoria Economatica mostra que, enquanto os demais setores da economia perdem com a crise, os bancos seguem lucrando. Dos 26 setores avaliados, seis tiveram prejuízo. E o mais lucrativo foi o bancário, que fechou o segundo trimestre de 2018 com R$ 17,6 bilhões contra R$ 15,2 bilhões em 2017, crescimento de 15,57% ou R$ 2,37 bilhões. O levantamento é apenas entre empresas com ações na bolsa, portanto, não foi levado em conta o lucro da Caixa.

Desemprego

De acordo com dados dos balanços das instituições financeiras, os cinco maiores bancos que atuam no país (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) eliminaram 16,9 mil postos de trabalho somente em 2017.

Houve uma redução no emprego bancário de 57.045 postos de trabalho entre janeiro de 2012 e junho de 2018, o que representa uma redução de 11,5% na categoria neste período.

Apesar do aumento substancial do lucro no último período, o emprego nos maiores bancos vem caindo: no 1º trimestre de 2018, houve uma queda de 13.564 postos de trabalho em doze meses.

Igualdade de oportunidades

Na categoria bancária, as mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho e recebem, em média, salários 23% menores que os dos homens.

Essa realidade é ainda mais injusta quando se observa que as mulheres bancárias têm escolaridade maior que a dos bancários. 80% das bancárias têm nível superior completo, enquanto entre os homens esse percentual cai para 74%.

Em seus Relatórios Anuais de Sustentabilidade os bancos apresentam algumas informações que ilustram a desigualdade com a qual as mulheres são tratadas nestas instituições.

No Bradesco, por exemplo, o salário médio das mulheres na gerência representa apenas 85% do salário médio dos homens que trabalham nos mesmos cargos.

Dados da Categoria

Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com validade nacional.

Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o país. São cerca de 485 mil bancários no Brasil, sendo 1,8 mil na base do Sindicato dos Bancários de Joinville e Região, a segunda maior de Santa Catarina. A categoria conseguiu aumento real acumulado entre 2004 e 2017 de 20,26% e 41,6% no piso.

Principais reivindicações da Campanha 2018:

• Reajuste Salarial – 5% de aumento real, com inflação projetada de 3,87 % (até 07/08)

• PLR – três salários mais R$ 8.546,64

• Piso – Salário mínimo do Dieese (R$ 3.747,10)

• Vales Alimentação, Refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá – Salário Mínimo Nacional (R$ 954): Inclusive nos períodos de licença-maternidade, paternidade e adoção, férias e nos afastamentos por doença de qualquer natureza ou acidente de trabalho.

• 14º salário;

• Fim das metas abusivas e assédio moral – A categoria é submetida a uma pressão abusiva por cumprimento de metas, que tem provocado alto índice de adoecimento dos bancários;

• Emprego – Fim das demissões; ampliação das contratações; fim das novas formas de contratação, criadas a partir da Reforma Trabalhista (autônomo, terceirizado e intermitente e contrato parcial); fim da precarização das condições de trabalho e homologações feitas no Sindicato

• Melhores condições de trabalho nas agências digitais

• Mais segurança nas agências bancárias

• Auxílio-educação

Proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban):

A proposta dos bancos foi 3,90% reajuste, o que corresponde ao valor do INPC e zero de aumento real para a categoria (de acordo com a inflação projetada de 3,87%), em um acordo de quatro anos.

Como é hoje:

Piso escritório após 90 dias – R$2.192,88
Piso caixa/tesouraria após 90 dias – R$ 2.962,29
PLR – Regra básica: 90% do salário + 2.243,58 (podendo chegar a 2,2 salários) e parcela adicional: 2,2% do lucro líquido dividido linearmente entre os trabalhadores, com teto de R$ 4.487,16
Auxílio-refeição: R$33,50 por dia ou R$ 737,00 (mensal)
Auxílio cesta alimentação e 13ª cesta – R$ 580,83
Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) – R$ 446,11

Veja como foram as negociações anteriores com a Fenaban
> 1ª rodada: Bancos frustram na primeira rodada de negociação
> 2ª rodada: Calendário de negociações foi definido
> 3ª rodada: Categoria adoece, mas Fenaban não apresenta proposta
> 4ª rodada: Bancos não avançam nas negociações e insistem em tirar direitos
> 5ª rodada: Campanha 2018: bancos não apresentam proposta
> 6ª rodada: Fenaban oferece reposição da inflação, sem ganho real

Veja como foram as negociações com a Caixa
> 1ª rodada: Empregados e Caixa definem calendário de negociação
> 2ª rodada: Direção da Caixa não garante direitos dos empregados
> 3ª rodada: Governo quer impor o fim do Saúde Caixa
> 4ª rodada: Reunião de Negociação Coletiva com a Caixa Econômica Federal
> 5ª rodada: Caixa apresenta proposta inaceitável
> 6ª rodada: Mobilização traz avanços ainda insuficientes

Veja como foram as negociações do BB
> 1ª rodada: BB mostra disposição para negociar com funcionários
> 2ª rodada: Resultado da negociação com o Banco do Brasil
> 3ª rodada: Terceira negociação com BB traz poucos avanços
> 4ª rodada: Banco do Brasil propõe reduzir prazo de descomissionamento
> 5ª rodada: Mesa de negociação com BB fica zerada na pauta econômica
> 6ª rodada: Banco do Brasil apresenta proposta insuficiente e incompleta
> 7ª rodada: Mesa do BB continuará junto com a negociação da Fenaban na terça

Veja como foram as negociações do Banrisul
> 1ª rodada: Primeira mesa de negociação com o Banrisul termina em frustração
> 2ª rodada: Banrisul sinaliza que irá manter direitos do acordo específico
> 3ª rodada: Terceira mesa de negociação com o Banrisul

Veja como foram as negociações dos Financiários
> 1ª rodada: Financiários iniciam negociação com Fenacrefi
> 2ª rodada: Financiários tem primeira vitória

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