Opinião 12/07/16

CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES: em 1993, em um artigo publicado na Foreign Affairs, denominado “O choque de civilizações”, o cientista político Samuel P. Huntington, professor de Harvard, defendeu, como reação ao livro de Francis Fukuyama “O fim da história e o último homem”, suas ideias originais que desembocariam num livro que deu o que falar, publicado em 1996 com o mesmo título. Em 1993, ele escrevera: “Minha hipótese é que a fonte fundamental de conflitos neste mundo novo não será principalmente ideológica ou econômica. As grandes divisões entre a humanidade e a fonte dominante de conflitos será cultural. Os Estados-nações continuarão a ser os atores mais poderosos no cenário mundial, mas os principais conflitos da política global ocorrerão entre países e grupos de diferentes civilizações. O choque de civilizações dominará a política global”. Profético!

CHOQUE DE CULTURAS: outro artigo importante, publicado no jornal “O Estado de São Paulo” de 17-01-2015, assinado pelo cientista político e professor da Universidade de Nova York, Ben Barber, cujo título também contestatório à globalização foi “Choque de culturas é mais forte que globalização” dizia o mesmo em outra perspectiva: “E quanto à nova religião que tomou o mundo nos anos mais recentes – a globalização? Disseram-nos que ela deveria transcender fés e raças. Todos acabarão usando calças jeans, comendo no McDonalds, falando inglês e ganhando dinheiro. Todos aprenderíamos a usar computadores e a fazer da internet um caminho para se unir aos outros num futuro universal aberto a todos. A ideia era boa. Mas está em conflito com a história”. Parece que está mesmo.

REINO UNIDO: certamente parte do que ocorreu no Reino Unido teve a ver com essa aposta na globalização e na sua insuficiência para substituir os valores do velho nacionalismo. Nacionalismo como “salvaguarda dos interesses e exaltação dos valores nacionais ou sentimento de pertencer a um grupo por vínculos raciais, linguísticos e históricos que reivindica o direito de formar uma nação autônoma”. Bingo! O que os ingleses disseram com o seu não à União Europeia foi exatamente isso, a manifestação de um desejo de autonomia. Eles sentem-se em perigo cercados por tantas raças e religiões diferentes, principalmente muçulmanos. Acham que esses estrangeiros estão corrompendo os seus costumes, roubando os seus empregos e descaracterizando aquilo que sempre foi o orgulho da Ilha, o de haver criado num rincão isolado um grande império.

CIVILIZAÇÕES: o professor Huntington esboçou um quadro com nove ramos de civilizações: civilização sínica ou chinesa, civilização nipônica ou japonesa, civilização hindu, civilização budista, civilização islâmica, muçulmana ou árabe, civilização ocidental, civilização latino-americana (como subdivisão da ocidental), civilização ortodoxa e civilização subsaariana. Os ramos são aleatórios, sem contornos muito definidos, com grande heterogeneidade de situações. O que salta aos olhos neste momento é que há em andamento uma profunda divisão entre a civilização cristã e a islâmica, ou, se preferirem, entre civilização ocidental e civilização árabe. Como vimos, as divisões não são nítidas e há situações indefinidas. Por exemplo, não se pode dizer que a Grécia faz parte da civilização ortodoxa ou que países como Tailândia e Coréia do Sul possam ser parte de toda a civilização budista oriental. Nem que o Paquistão seja árabe, embora muçulmano. Enfim, exercício intelectual para quem gosta.

SENTIMENTO INGLÊS: uma inglesa escreveu no Facebook: “Os brexisters alertam para o fato que éramos obrigados a aceitar meio milhão de imigrantes por ano (nunca chegou a isso, mas quase). Não só aceitá-los, mas absorver a cultura, a língua e a religião que eles traziam. Os mosques aumentaram, as igrejas, os templos muçulmanos e budistas, etc. Com isso, colocaram pressão em ter suas próprias escolas e não deixavam que fossem inspecionadas pelo Ministério da Educação no Reino Unido. Isso propiciava a doutrinação das crianças islâmicas, aumentando a divisão entre eles e os nativos ingleses. A pressão para moradia é imensa, não existe casa para todos. Somos 70 milhões em um território do tamanho aproximado do Estado de São Paulo. Sem falar no sistema de saúde: agora demora mais ou menos dez dias para se conseguir a consulta com um clínico geral do NHS (National Health Service)”. Esse sentimento derrotou a permanência na União Europeia. Foi uma reação contra a degradação da qualidade de vida, contra a convivência com aqueles que têm religiões diferentes e praticam outros hábitos culturais. Algo realmente muito complicado, cuja superação ainda não está visível no mapa da civilização. UGT Press

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