BB prepara mais um PDV para reduzir quadro de pessoal

O Banco do Brasil anunciou mais um plano de reorganização que afetará funções, agências e departamentos. A instituição afirma que o programa será implantado neste segundo semestre. Também está sendo preparado um novo plano de desligamento incentivado.

“A direção do BB prepara mais um plano de demissão à revelia do movimento sindical, o que invariavelmente irá resultar em aumento da sobrecarga de trabalho nos funcionários remanescentes”, critica João Fukunaga, sindicalista. “Cobramos ainda a abertura de novos concursos a fim de reparar a redução das vagas causada por mais essa reestruturação”, acrescenta.

Em reunião com o movimento sindical, representantes do banco informaram que as unidades de negócios especializadas (Estilo, Estilo Digital, Escritório) e de varejo em São Paulo não sofrerão mudanças.

Na reestruturação, o banco informou que será criada a Unidade Inteligência Analítica, “que acompanhará o desenvolvimento de técnicas, ferramentas e inovações que utilizam soluções com Inteligência Analítica e Inteligência Artificial”.

Serão criadas 42 novas Agências Empresas, até outubro, transformadas 333 agências em Postos de Atendimento Avançado (PAA) e outros 49 PAAs em agências.

“O Banco do Brasil vem priorizando a proliferação de agências digitais, o que irá afetar sua função pública e social. A política de Estado para os bancos públicos deve priorizar a bancarização da população, principalmente a de mais baixa renda, ao invés de copiar o modelo adotado pelos bancos privados. Isso não quer dizer que o BB não possa ter agências digitais, mas o banco não pode abrir mão de agências físicas”, afirma João Fukunaga.

Plano de demissão

Além das movimentações, o banco prepara um novo plano de desligamento voluntário. A adesão será voluntária, e de caráter pessoal.  Segundo apuração do Sindicato, o PDV só será validado nas agências que tiverem quadro em excesso.

“Apesar de não ter participado dessas decisões por força de lei, sou contra a reestruturação e a forma como os funcionários foram informados das medidas, por meio de notícias veiculadas pela imprensa. É importante ressaltar que a decisão de aderir ao plano de desligamento é voluntária, e os sindicatos irão acompanhar de perto o processo para evitar que os funcionários sofram qualquer tipo de pressão para aderir ao PDV sem avaliar de fato os impactos em suas vidas”, afirma Débora Fonseca, Conselheira de Administração Representante dos Funcionários do BB.

No mapa de vagas haverá uma sinalização dos prefixos e funções onde há manifestação de interesse de funcionários no desligamento pelo PAQ.

Os bancários que aderirem terão aquilo que o banco chama de “incentivos”:

– Indenização financeira, calculada com base no salário, com valores de piso e teto estabelecidos conforme a seguir:
– Sete salários para quem trabalhou até 20 anos, com um piso de R$ 20 mil e teto de R$ 200 mil.
– Para quem trabalha há mais de 20 anos, nove salários, também com piso de R$ 20 mil e teto de R$ 200 mil.

– O BB ressarcirá por até um ano as mensalidade do Plano Cassi Família ou plano de saúde ofertado pelas Patrocinadoras de bancos incorporados para os funcionários em que o desligamento pelo PAQ cesse o direito de permanência no plano de associados da Cassi ou do respectivo plano oriundo de banco incorporado. O benefício será estendido aos dependentes econômicos, inscritos até a data do desligamento, mediante apresentação de proposta de adesão.

“Estamos cobrando do banco mais transparência e rapidez na comunicação, porque sem as informações completas, as pessoas se sentem inseguras e não sabem se serão impactadas ou não”, afirma Débora Fonseca. SEEB – São Paulo


O Banco do Brasil (BB), que divulgará os resultados do segundo trimestre em 8 de agosto, está preparando mais um Programa de Demissão Voluntária (PDV), a ser anunciado em breve. Esse desligamento, porém, poderá vir com o pomposo nome de reorganização.

Entre os 98 mil funcionários, o clima é de muita expectativa, pois não se sabe até onde chegará esse processo de reestruturação e quais a condições que serão oferecidas pelo BB aos que decidirem pelo PDV.

Não se acredita que será algo tão grande como foi na gestão de Paulo Rogério Caffarelli, que promoveu cortes profundos no banco, inclusive com o fechamento de centenas de agências.

A expectativa é maior com o que está por vir, porque, pela reforma da Previdência, todos trabalhadores de empresas estatais que vierem a se aposentar depois da aprovação em definitivo da reforma da Previdência terão que ser demitidos.

Estima-se, dentro do Banco do Brasil, que pelo menos 30% dos atuais gestores seriam cortados depois que tal regra entrasse em vigor. Esse número preocupa, pois daria descontinuidade a muitos projetos importantes tocados dentro da instituição.

Enxugamento
O Banco do Brasil não consegue dimensionar claramente quantos empregados teria que demitir depois de aprovada a reforma da Previdência, pois muita gente se aposenta pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas não comunica a instituição.

“Não existe um número preciso”, afirma um técnico do banco. Ele ressalta, porém, que, pela Nova Previdência, quem já está aposentado pelo INSS não terá, necessariamente, que deixar o banco. A regra de demissão imediata vale apenas para quem se aposentar depois que a reforma estiver, efetivamente, valendo.

O atual presidente do BB, Rubem Novaes, já demonstrou, por diversas vezes, que a instituição tem que diminuir de tamanho e abrir espaço para os concorrentes privados. O banco, inclusive, vem se desfazendo, sem alarde, de vários ativos.

Novaes só não acelerou o passo no sentido de cortar pessoal, porque a pressão dentro do banco é grande. Ele, inclusive, já foi acusado por assessores do presidente da República, Jair Bolsonaro, de ter sido “cooptado” pelas corporações do BB.

O certo é que, pelos dados do Banco Central, os bancos públicos vêm diminuindo o ritmo de crescimento. Nos seis primeiros meses deste ano, o estoque de crédito dessas instituições avançou 1,2%. Já o total do setor privado saltou 2,1%. Correio Braziliense

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