Lucro do Itaú sobe e bate R$ 28,3 bi em 2019

São Paulo – O Itaú Unibanco teve um lucro líquido recorrente de R$ 7,296 bilhões no quarto trimestre de 2019, um aumento de 12,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A média das projeções dos analistas consultados pelo Valor era de R$ 7,204 bilhões. O lucro líquido contábil foi de R$ 7,482 bilhões no período, avanço anual de 20,6%.

No ano, o lucro recorrente do banco cresceu 10,2%, para R$ 28,363 bilhões. Já o contábil foi de R$ 26,583 bilhões, aumento de 6,4% em um ano.

O lucro recorrente desconsidera fatores como o ganho de R$ 1,974 bilhão que o Itaú com o IPO da XP Investimentos, o impacto positivo da reavaliação do estoque de crédito tributário e a constituição de provisões cíveis e trabalhistas. Levando em conta esses aspectos, o lucro contábil do Itaú no trimestre foi de R$ 7,482 bilhões, alta de 20,6%.

O Itaú fechou dezembro com R$ 706,664 bilhões em sua carteira de crédito expandida, o que significa um aumento de 10,9% em um ano. O impulso veio principalmente de operações com pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas. No entanto, o banco também mostrou recuperação na carteira de grandes companhias, que cresceu 10,1%, para R$ 211 bilhões.

O desempenho no crédito foi bem mais forte no Brasil que nas operações do Itaú no restante da América Latina, onde a carteira aumentou apenas 1,9%, chegando a R$ 166,3 bilhões. O número reflete baixo crescimento no Chile, marcado por uma onda de protestos no período, além de quedas na Colômbia, Argentina e Paraguai.

Uma piora do risco nas operações latino-americanas também levou a um salto no custo do crédito do Itaú, grande ponto fraco do balanço do banco no quarto trimestre. O indicador, que mede despesas com provisões para perdas no crédito, baixas contábeis de títulos financeiros e descontos, aumentou 70,1%, para R$ 5,811 bilhões no quarto trimestre.

A alta no custo do crédito refletiu ainda uma mudança na composição da carteira, com maior participação de linhas para pessoas físicas — como consignado e financiamento de veículos — e companhias de pequeno e médio portes.

A margem financeira acompanhou o crescimento desses segmentos e avançou 11,8%, para R$ 19,439 bilhões. “A melhora do cenário econômico e, consequentemente, do ambiente de negócios possibilitou a retomada do crédito em 2019, o que impactou positivamente as nossas carteiras em diferentes linhas de produtos”, afirmou, por meio de nota, o presidente do Itaú, Candido Bracher.

Serviços e despesas

O maior banco do país obteve crescimento de 11,9% nas receitas de prestação de serviços e resultado de seguros, que totalizaram R$ 12,062 bilhões no quarto trimestre. As comissões decorrentes de assessoria financeira e administração de recursos foram destaques positivos no período, compensando um recuo de 27,5% na receita de adquirência.

As despesas operacionais, por outro lado, se mantiveram sob controle. Cresceram 1,7% — abaixo, portanto, da inflação do período — e ficaram em R$ 13,011 bilhões nos últimos três meses de 2019. Treinamento, processamento de dados e telecomunicações e propaganda foram algumas das áreas onde houve enxugamento de gastos em termos nominais.

Em receitas de serviços e despesas operacionais, o Itaú teve um desempenho melhor do que havia projetado para o ano passado. “Em 2019, fizemos um importante movimento de revisão de processos, otimização de gastos e engajamento dos nossos gestores e colaboradores para a busca de eficiência”, afirmou Milton Maluhy, vice-presidente executivo de finanças, também por meio de comunicado.

Para 2020, o Itaú manteve projeções de crescimento acelerado no crédito e em receita de serviços. A expectativa do banco é que a carteira de empréstimos e financiamentos aumente entre 8,5% e 11,5% no ano. As receitas de prestação de serviços vão aumentar na faixa de 4,5% e 7,5%.

Entretanto, o banco prevê ventos contrários, decorrentes, em parte, de suas operações em outros países da América Latina. Segundo o Itaú, o custo do crédito ficará no patamar entre R$ 18,5 bilhões e R$ 22 bilhões em neste ano — o piso já será superior, portanto, aos R$ 18,2 bilhões registrados ao longo de 2019. A margem financeira com clientes deve ter variação entre zero e 3%, enquanto a margem com o mercado — que reflete operações de tesouraria e com o patrimônio do banco deve ficar entre R$ 5,7 bilhões e R$ 6,7 bilhões.

Para compensar esses fatores de pressão, o Itaú trabalha com mais um ano de restrições em seus gastos operacionais. A projeção do banco é que as despesas não decorrentes de juros oscilem entre uma queda de 2% e crescimento de 1%.

Dividendos e juros

O Itaú Unibanco anunciou o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio complementares. Ambos serão pagos em 6 de março.

Os dividendos serão no valor de R$ 0,4832 por ação. Já os juros sobre o capital próprio de R$ 0,5235 por ação, com retenção de 15% de imposto de renda na fonte, isto é, R$ 0,444975 por ação.

Ambos serão pagos em dia 6 de março, assim como os juros sobre o capital próprio declarados em 28 de novembro, de R$ 0,037560 por ação (líquido de R$ 0,031926 por ação).

Considerando o resultado da companhia em 2019, quando teve lucro líquido recorrente de R$ 28,363 bilhões, o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio corresponderá a 66,2%, ou R$ 18,8 bilhões (líquido de imposto de renda). Valor Econômico

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