Bancos podem e devem contratar mais

De acordo com dados do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, setor perdeu 1.085 vagas no mês; desde janeiro, já são 9.621 postos de trabalho a menos.

Mesmo apontado como o setor mais lucrativo da economia brasileira pela consultoria Economática, os bancos seguem demitindo trabalhadores, dando de ombros para a responsabilidade social que deveriam ter como concessões públicas, e colaborando com a já elevada taxa de desemprego no país. Somente em maio, o setor financeiro extinguiu 1.085 postos de trabalho bancários. Desde janeiro, já são 9.621 vagas a menos.

Os dados foram apontados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Todos os estados brasileiros registraram saldo negativo de contratações em maio, exceto Alagoas e Piauí, que mantiveram o número de postos de trabalho, e Tocantins, que registrou saldo positivo de uma vaga. São Paulo (- 332), Paraná (- 160) e Rio de Janeiro (- 138) foram os estados mais impactados pelos cortes.

“É inadmissível que o setor mais lucrativo do país continue demitindo trabalhadores dessa forma. Não existe qualquer justificativa para tantos cortes. O resultado desse tipo de gestão, que ataca a folha salarial para cortar custos e maximizar lucros, são bancários sobrecarregados, atendimento à população precarizado e taxa de desemprego no país cada vez mais elevada”, critica a diretora executiva do Sindicato Marta Soares. “Cadê a responsabilidade social dos bancos? Fica só nas propagandas?”, questiona.

A dirigente lembra que o Centro de Realocação Profissional, conquista da Campanha Nacional 2016, está previsto na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) e visa justamente evitar demissões. “É preciso que os bancos deem efetividade a essa ferramenta, uma conquista da categoria. Cobramos que as instituições respeitem seus funcionários e a CCT. Em todos os bancos, existem áreas carentes de bancários. Portanto, ao invés de demitir, deveriam requalificar e realocar os trabalhadores.”

Caixa – No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a Caixa foi o banco que mais impactou o emprego no setor, com saldo negativo de 4.368 postos de trabalho. O elevado número de cortes é resultado do PDVE (Plano de Demissões Voluntárias Extraordinário), lançado no início do ano, pouco antes da liberação dos saques de contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), o que aumentou significativamente a demanda de trabalho na instituição, inclusive com ampliação do horário de atendimento e abertura de agências aos sábados.

Rotatividade – Os bancos, além de cortar postos de trabalho, lucram com a chamada rotatividade. Entre janeiro e maio, os bancários admitidos no setor foram contratados recebendo em média 61% da remuneração dos trabalhadores desligados.

Desigualdade de gênero – Outro dado que chama atenção no levantamento do Dieese é a desigualdade de gênero no setor bancário. As 4.409 mulheres admitidas nos cinco primeiros meses de 2017 recebem, em média, R$ 3.531, 67% da remuneração média dos 4.294 homens contratados no mesmo período.

Faixa etária – Os bancários admitidos nos primeiros cinco meses deste ano concentraram-se na faixa etária de até 24 anos, com saldo positivo em 2.418 postos de trabalho. Já os desligamentos concentraram-se, principalmente, entre bancários de 50 a 64 anos, com o fechamento de 6.597 postos de trabalho.

“Se aprovada a reforma trabalhista, que permite, entre outros desatinos, demitir milhares de trabalhadores de uma vez sem necessidade de comunicar o Sindicato, o que atualmente coíbe cortes em massa, a situação do emprego no setor bancário se agravará ainda mais. No caso da reforma da Previdência, se aprovada, não existirão mais aposentados bancários. Antes de completar 65 anos, com o mínimo de 25 anos de contribuição, o trabalhador será substituído por outro mais jovem, com remuneração inferior. Temos de parar o país em uma nova e maior greve geral pelo fim das reformas, em defesa dos bancos públicos e por eleições diretas para a Presidência, Câmara e Senado”, conclui Marta. SEEB-SP

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