Mesa de negociação com BB fica zerada na pauta econômica

Brasília – A rodada de negociação sobre as cláusulas econômicas, nesta sexta-feira 3, ficou sem proposta de avanço ou melhoria no acordo coletivo dos funcionários do Banco do Brasil. Esta foi a quinta rodada de negociação e não foi apresentada nenhuma proposta para as cláusulas econômicas.

Além das reivindicações para cláusulas econômicas, os sindicalistas cobraram do banco que apresentasse proposta para os temas debatidos nas rodadas anteriores. Desde o início das negociações, os trabalhadores vêm solicitando respostas, mas não foi o que aconteceu no decorrer do processo negocial.

O banco informou que fará uma proposta envolvendo cláusulas econômicas na terça-feira 7, na sequência da mesa da Fenaban, que também ficou de apresentar proposta global na terça 7. Os bancários deliberam sobre a proposta da Fenaban em assembleia (veja edital clicando aqui) que terá início às 18h, em primeira chamada, e 18h30 em segunda chamada, no auditório do Bancários Joinville (Rua Nove de Março, 724, Centro).

Descomissionamentos

Na mesa desta sexta 3, a Comissão de Empresa destacou a insatisfação dos funcionários com a proposta do banco de redução dos ciclos avaliatórios de GDP para descomissionamento por desempenho. O BB quer reduzir dos atuais 3 ciclos para apenas 1 ciclo, ou seja, um semestre.

A repercussão da proposta foi extremamente negativa e os funcionários relataram aos representantes do BB que há um grande temor e desespero dos funcionários, causado pelo próprio banco.

Chegaram aos sindicatos relatos de reuniões entre gerentes e superintendes nas quais os diretores da DISUD e DIRED orientaram os gestores a encher a GDP dos funcionários com anotações para preparar o descomissionamento.

“Cobrança anota e elogio só fala”

O relato mais assustador repassado pelo gerentes gerais é que a DISUD tem orientado os gestores a anotar todas as cobranças e que os elogios sejam feitos apenas verbalmente, numa escancarada deturpação da GDP.

Para Wagner Nascimento, representante do movimento sindical, o que assusta os bancários e bancárias é que a cláusula do acordo que o banco quer alterar para pior, é justamente a proteção que os funcionários têm contra os maus gestores, os assediadores e contra os acertos de contas. “O que queremos da GDP é que o banco cumpra o que ele mesmo escreve sobre gerenciamento de GDP, sobre avaliação dos pares e auto avaliação e sobre o desenvolvimento de competências. Estes conceitos deixaram de ser considerados há muito tempo”, completou.

Intervalo de almoço, banco de horas e demais itens

Os representantes destacaram ainda as preocupações em relação à proposta de flexibilização do intervalo de almoço apresentada pelo BB na reunião anterior. Muitos funcionários estão temerosos de que a flexibilização faça com que, em alguns locais de trabalho, a redução ou ampliação seja colocada como obrigatória para atender apenas a necessidade do serviço e não pela vontade do funcionários.

O banco apresentou também uma proposta de banco de horas, ainda sem redação definitiva. Os funcionários argumentaram que o problema dos bancos de horas é justamente o não pagamento de horas extras e que isso pode ser um problema se houver redução de intervalo obrigatória.

Foi cobrada uma redação que contemple essa preocupação e o tema será debatido com todos os bancários, uma vez que foi também apresentado na mesa da Fenaban.

Os representantes reivindicaram do banco a realização de um censo da diversidade dentro do banco, com a construção feita em conjunto com os sindicatos, para que se tenha um mapa dos funcionários, no intuito de se produzir políticas afirmativas para o conjunto do corpo funcional do BB.

Campanha pelo NÃO na Cassi para a proposta do banco

Os representantes falaram que a proposta contém muitas mudanças no Estatuto e o atropelo do BB e a retirada de direitos faz com que os sindicatos já se posicionem contrários à proposta.

Lembraram ao BB que nunca uma proposta de alteração teve tantos sindicatos, entidades associações de aposentados e conselhos de usuários fazendo campanha pelo não e que isso deve ser avaliado pelo banco.

Os sindicatos ainda informaram ao banco o perigo de uma proposta com risco atuarial apontado ainda no âmbito do Conselho da Cassi. Os cálculos da proposta são frágeis e pode acontecer o mesmo erro do acordo anterior, que era para durar até 2019 e o banco errou nas contas.

De acordo com Wagner, “continuamos fazendo um apelo ao bom senso do BB quanto a votação de uma proposta ruim, com problemas de cálculos e muitas retiradas de direitos. Não podemos aceitar mudanças no Estatuto da Cassi que passam para o controle do banco o futuro dos associados, com redução de poderes para os funcionários e aposentados na governança. O que nos parece é que a equipe que cuidou da proposta apenas se preocupou em apresentar qualquer coisa para satisfazer uma meta e fez como as vendas casadas que são canceladas depois. É este o risco que corremos: destruir a Cassi pela arrogância do BB e chorar o prejuízo depois. Queremos negociação onde os associados sejam ouvidos”, finalizou. SEEB – São Paulo com edição Redação Bancários Joinville

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